O futuro da Grécia na zona euro está por um ténue
fio, um fio que tem esticado, esticado, esticado mas que irá romper mais tarde
ou mais cedo.
Esta é a dura realidade de um país que criou o
ilusionismo de fazer parte da moeda única, mas que nunca deveria ter entrado.
Podemos pensar que Portugal é um caso semelhante mas não somos de longe um país
igual ao da Grécia. O Euro trouxe muito dinheiro a Portugal (e por isso mesmo
agora o temos de pagar quer queiramos, quer não), mas também acabou por nos
tirar a independência monetária.
Nunca esteve previsto um país que tenha outrora
entrado na zona euro poder sair, mas há sempre uma primeira vez, e porque tem
que haver uma primeira vez, e porque vai haver uma primeira vez. É inevitável
penso eu. É também inacreditável como um país que já foi epicentro da história
antiga tenha sido entregue ao despesismo, irresponsabilidade, hipocrisia e
imaturidade que por ventura a democracia quer de direita quer de esquerda
deixou.
Financeiramente, as perdas já lá vão
(infelizmente). Quem nos dera que os nossos investimentos corram sempre bem,
mas não nos podemos esquecer que o risco sistemático está sempre presente. O
que podemos e devemos fazer sim é mitigar os efeitos que a saída da Grécia está
a proporcionar à economia europeia. Digamos que a Grécia neste momento é um
cancro que temos de erradicar do nosso corpo antes que o nosso corpo seja
devorado pela arrogância esquerdista e despesista de um povo que não quer pagar
nem quer abdicar de “direitos” que se julgam universais. Quase que se compara o
direito à vida com o direito à pensão e ao subsídio.
Banco Central Europeu e Comissão Europeia, sejam
capazes de convidar a Grécia a sair do Euro, que sejam capazes de assumir mais
perdas de curto prazo em troca de estabilidade política e financeira de uma
zona económica débil, que quer crescer mas que tem um pequeno cancro no seu
apêndice continental.
Grécia, já vais tarde..

