O título deste texto não poderia ser outro quando se
pretende falar sobre o Prof. Dr. João César das Neves.
Para além de ser o título dos seus livros e a sua frase
mais característica, reconhecida imediatamente por todos aqueles que já tiveram
o prazer de assistir a uma aula sua, bem como pelos que acompanham as suas
publicações e trabalhos, é uma frase que resume bem o retrato económico do país
traçado nesta iniciativa da JSD Odivelas para a qual o Professor amavelmente
aceitou o convite.
Com a isenção própria de alguém quem não está
associado a qualquer cor política, o Prof. Dr. João César das Neves abordou os
mais variados temas, nomeadamente, a situação grega e a coesão europeia e o
desemprego e emigração jovem, sempre com a independência, rigor e coerência que
o caracterizam.
Foi com grande mestria e genialidade que o Professor,
ao longo do debate, desmontou os mitos económicos e vaticínios de um triste
fado que todos os dias invadem as nossas casas e vidas, mas ao mesmo tempo colocou
em sentido os alarmes da nossa consciência social, alertando, entre outras
coisas, para a excentricidade daqueles que estiveram hibernados durante a
austeridade e que agora ressurgem, aclamando tempos de “vacas gordas”, pela voz
do D. João V da era moderna cujo único caminho que tem apresenta para Portugal
é o de um novo resgate.
Enquanto florescia em nós uma fé provocada pela
enumeração das boas medidas tomadas durante o último mandato, esta desvanecia
quando confrontados com o que faltou fazer, sobretudo com a realidade dos
grupos de interesses que constantemente estagnam a mudança e evolução do País e
que estão tão enraizados na sociedade portuguesa que nem com a pressão da
troika foi possível arrancar.
À medida que íamos sendo confrontados com o
privilégio que temos por fazermos parte uma geração que está a viver uma época
histórica de profunda mutação social, equivalente à da Revolução Industrial, que
disfruta de uma maior esperança de vida e com melhores condições do que as anteriores,
rapidamente fomos advertidos sobre problemas que essa mesma mutação nos
causará, nomeadamente, no que respeita às carreiras profissionais, colocando à
prova a nossa capacidade de adaptação.
No final do debate, o sentimento era o de ter acabado
de ser invadido por uma fresca esperança no futuro, sofrendo, no entanto, um
frio banho de realidade que nos faz manter os pés bem assentes no chão.
Termino este texto enaltecendo esta iniciativa que
encheu de jovens (numa sexta-feira à noite!) a nossa sede, para ouvir e falar
com um ilustre economista e professor catedrático que sobre o estado do país e
do Mundo.
Se isto não é “um almoço grátis”, será certamente um
bom exemplo de que temos cada vez mais jovens preocupados e com consciência
cívica e social, o que só poderá contribuir para um País melhor e mais
desenvolvido.