Não vou, neste pequeno texto que escrevo, analisar ou
comentar as medidas ou “não medidas” que a Grécia está a tomar para que seja
aprovado o prolongamento do empréstimo ao país.
Vou apenas comentar um argumento utilizado, há algumas
semanas por um Ministro grego, para que o eurogrupo ceda nas suas exigências. O
argumento utilizado é tão importante e útil que passo a transcrever e dou algum
destaque para nunca esqueçamos que isto foi dito:
“Se a Europa nos deixar nesta
crise, vamos inundá-la com imigrantes e o pior é que nesse grupo vão estar
jiadistas do Estado Islâmico. Entregaremos a estes imigrantes de todos o lados
os documentos de que necessitam para viajar livremente no Espaço Schengen.”
A única forma de encarar este
tipo de vociferações é a rir pois este comentário só pode ter sido uma piada de
mau gosto. Quando li esta esta notícia há uns dias demorei algum tempo a
entender aquilo que estava a ser dito. Tentei ler outra vez e colocar-me do
lado de quem diz estas palavras e, lendo nas entrelinhas desta chantagem,
obviamente que é perceptivel que provavelmente é uma situação de desespero e
que obviamente sem dinheiro é impossível a Grécia aplicar recursos na
vigilância do espaço Schengen e no controlo das suas fronteiras. Não é apenas
um problema dos Gregos mas sim de toda a Europa. Por outro lado a política não pode nem deve
ser falada assim e muitas vezes não se trata apenas de ser “politicamente
correcto” mas sim o exemplo que se dá aos cidadãos.
A frase transcrita foi dita pelo
ministro da Defesa e líder do partido da coligação Gregos Independentes, Pano
Kammenos e fez-me ter um “deja vu” dos tempos de escola. Este ministro utilizou
aquele argumento de quem não sabe jogar à bola mas é o dono da bola e está a
perder – “se eu não ganhar vou para casa e acabou o jogo”. Espero que ele não
se esqueça também que está a jogar no “campo” da Europa.


