Requiescat in pace autárquicas
2013, ou reflexões sobre responsabilidades
e compromissos
Em debates internos
tenho-me deparado com o argumento de "dar a cara pelo partido",
argumento este que tem sido usado na maior parte das vezes como resposta a qualquer
reparo, nota ou crítica sobre todo o processo autárquico passado.
Mas o que significa dar a
cara pelo partido?
Será que é estar presente nos
cartazes? Ou ir em primeiro nas listas? Será um sacrifício
que calha em sorte a uns quantos "coitados" militantes?
"Dar a cara pelo
partido" deve ser encarado como uma responsabilidade, um privilégio e,
acima de tudo, um compromisso. Compromisso esse que não deve ser menosprezado,
nem relativizado. Deve trazer consigo trabalho, exemplo, um projecto pensado e
um plano de acção - e vontade de o concretizar. Não vale
a pena fazer por fazer, é preciso fazê-lo bem.
Aceitar "dar a cara pelo partido" deve ter em conta estas premissas.
O grande objectivo de um
processo democrático em que o partido se expõe aos cidadãos são os
resultados, e a aceitação dos eleitores, que manifestarão a sua preferência
através das votações. Dar a cara pelo
partido significa liderar um projecto que será obrigatoriamente avaliado
- e não deve
ser indiferente a esta avaliação.
Sendo verdade que há
algumas variantes que interferem com o resultado que não estão relacionadas com o
trabalho do candidato e da sua campanha, também é verdade que o resultado
eleitoral acaba por espelhar na generalidade o quão aceite o candidato foi,
penetrante nas populações, e quão bem pensada e exposta foi a mensagem que se quis
passar. Se os resultados foram maus, há que perceber que premissas não
foram cumpridas.
E depois da avaliação
feita, o estar presente nos cartazes, ou ser número um das listas, não é um
"free pass" quando calha a
atribuir responsabilidades daquilo que correu mal. Não sejamos a criança que
impacientemente retira o brinquedo ainda embrulhado das mãos do pai, quebrando-o no
processo de desembrulhar, e que em pranto responsabiliza o adulto pela desagradável
"surpresa".
Aqueles que aceitam dar a
cara pelo partido e que depois acabam por se eximir da responsabilidade daquilo
que correu mal devem ter a consciência de que os erros, os comportamentos a melhorar, as
falhas no projecto devem ser friamente dissecadas, assumidas, sem tabus ou
condescendência, para que sejam corrigidas num futuro imediato.
Sem
dramas ou crucificações. Mas também sem orgulho ou arrogância.

